Perspectivas sobre câncer no Brasil

Recentemente, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou o estudo “Estimativa 2023 – Incidência de Câncer no Brasil”. O trabalho aponta que, até 2025, o país terá 704 mil novos casos de câncer por ano (link: http://bit.ly/3gGI9zG).

No Brasil, o tumor mais prevalente é o de pele não melanoma (31,3% de todos os casos). Na sequência aparecem: câncer de mama (10,5%); próstata (10,2%), cólon e reto (6,5%), pulmão (4,6%) e estômago (3,1%).

Nas regiões Sul e Sudeste, os cânceres mais comuns são o câncer de mama, de próstata e o colorretal. Nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, quem aparece no topo é o câncer de próstata. Em todas as regiões, a neoplasia mais comum entre os homens é o câncer de próstata.

Cresce risco de ter câncer antes dos 50 anos

A cada geração, se torna mais comum o surgimento do câncer antes da pessoa completar 50 anos. A observação foi feita por pesquisadores vinculados à Universidade de Harvard. Segundo eles, a tendência se intensificou a partir dos anos 1990.

Esse não é o único estudo a fazer esse tipo de constatação. Pesquisadores do hospital da faculdade de medicina da Universidade Harvard publicaram o trabalho: “O câncer de início precoce é uma epidemia em pessoas mais jovens?”. Entre os tumores urológicos, destaca-se o câncer de rim. No total, foram identificados 14 tipos de câncer em expansão, como o de fígado, pâncreas e mama.

A mudança no estilo de vida é um dos fatores que explicam esse panorama. Consumo excessivo de bebidas alcoólicas, sedentarismo, sono ruim e dieta alimentar rica em produtos processados são alguns dos motivos.

Garotos vão 18 vezes menos ao urologista que meninas vão ao ginecologista

No ano passado, enquanto as garotas (12-18 anos) responderam por 189.943 consultas urológicas, os garotos na mesma faixa etária realizaram apenas 10.673 atendimentos urológicos. Esses dados foram compilados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a partir de informações do Sistema de Informação Ambulatorial do Ministério da Saúde.

Isso ocorre porque, após serem atendidas na fase inicial da vida pelos pediatras, as meninas passam a ser atendidas pelo ginecologista. Já os meninos não encontram uma assistência médica similar.

Para conscientizar sobre a atenção à saúde do adolescente masculino, a SBU realiza em setembro a campanha #VemProUro. Iniciada em 2018, a iniciativa enfoca um tema específico a cada edição. Nesse ano, a campanha terá como temática as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), em especial a HPV (papilomavírus humano). A SBU quer ressaltar a necessidade da vacinação. Segundo o Ministério da Saúde, até o momento menos de 40% dos garotos tomaram as duas doses do imunizante.

Como adotar um estilo de vida saudável pode ajudar quem apresenta risco genético de ter câncer de próstata

O componente genético desempenha papel importante no desenvolvimento do câncer de próstata: há mais de 200 alterações genéticas associadas a essa neoplasia. Entretanto, uma pesquisa de longa duração que analisou dados de 12 mil homens mostra que adotar um estilo de vida saudável pode diminuir essa propensão à doença.

O trabalho, que compilou dados desde a década de 1980, constatou que 3 mil participantes desenvolveram câncer de próstata. 25% dos indivíduos que apresentavam risco genético tinham quatro vezes mais chances de morrer da doença. Todavia, o risco de morte em decorrência da doença recua em 45% se os integrantes desse grupo adotarem ao menos quatro de seis parâmetros relacionados a um estilo de vida saudável. Os fatores são: não fumar, controlar o peso, praticar exercícios físicos (como corrida), comer peixe, consumir tomate e limitar as carnes processadas.

Os benefícios da laparoscopia assistida por robô

Esse artigo científico faz uma revisão de literatura para observar os diversos diferenciais da cirurgia robótica. De início, o texto repassa o surgimento dessa técnica minimamente invasiva e explica as diferentes modalidades, como os robôs passivos (realizam movimentos previamente programados) e ativos (controlados pelo médico no intraoperatório).

Especificamente sobre o segundo tipo, a cirurgia assistida por robô favorece o médico, pois ele tem maior compreensão do campo cirúrgico: a câmera permite zoom e as imagens são tridimensionais.

Outro componente importante é a resistência dos instrumentos robóticos, que tem entre 8mm-11mm de largura e estão fixados nos quatro braços do mecanismo. Além disso, esses dispositivos possuem sete graus de liberdade, proporcionando uma maior capacidade de movimentação do que a realizada pelo pulso humano.

Na ótica do paciente, o procedimento robótico gera menos dor no pós-operatório, tempo de hospitalização abreviado, retomada das atividades cotidianas de forma mais célere e resultado esteticamente mais harmonioso.

Qual a diferença entre balanite e balanopostite?

Balanite e balanopostite são inflamações no pênis. A primeira acomete a glande (extremidade do órgão). A segunda atinge a glande e o prepúcio (pele que recobre o órgão).

Essas doenças podem ocorrer em qualquer idade. Os grupos que tendem a apresentar mais essas alterações são homens com fimose e diabéticos (possuem maior propensão a terem processos inflamatórios).

Os sintomas mais comuns são vermelhidão, inchaço, dor e coceira. Em alguns casos, as inflamações passam com o tempo. Quando as doenças persistem, o tratamento ocorre através de antibióticos e/ou antifúngicos específicos.

A prevenção, porém, é o melhor remédio. A correta e diária higienização da região, manter o local seco e o uso de camisinha (visto que essas doenças podem decorrer de infecções sexualmente transmissíveis) são cuidados básicos.

A influência dos exercícios físicos no bem-estar dos pacientes com câncer de próstata

Desenvolvido no Canadá, o estudo de fase 2 ERASE – (Exercise During Active Surveillance for Prostate Cancer) avaliou como a prática de atividade física impacta a condição cardiorrespiratória e a evolução do câncer de próstata em pacientes com tumores de baixo risco.

O trabalho dividiu os participantes em dois grupos. O primeiro realizou treinos intensos três vezes por semana. Os demais pacientes não alteraram sua rotina de exercícios.

Quem integrou o primeiro grupo apresentou melhora em vários aspectos. Houve ganho na aptidão cardiorrespiratória, redução dos níveis de PSA e diminuição na formação e proliferação das células tumorais.

Pesquisas relacionando como a atividade física auxilia o tratamento de câncer são cada vez mais comuns. Outros trabalhos focam aspectos complementares (dieta alimentar equilibrada e controlar o peso, por exemplo).

Pesquisa investiga porque homens têm mais chance de ter câncer

O senso comum aponta que os homens apresentam maior probabilidade de ter câncer, pois hábitos ruins – como sedentarismo, dieta alimentar desequilibrada, fumar e beber – são mais comuns no público masculino. Entretanto, pesquisa divulgada pelo periódico da American Cancer Societyquer lançar luz sobre outras características.

O estudo analisou, entre 1955-2011, a incidência de vários tipos de câncer em 170 mil homens e 122 mil mulheres. 17.951 homens tiveram câncer. Entre as mulheres, 8.742 delas tiveram alguma neoplasia. Os pesquisadores observaram que boa parte dos casos não poderia ser explicada apenas por exposições ambientais.

Os homens têm maior suscetibilidade de apresentar câncer de bexiga (3,3 vezes maior), esôfago (10,8 vezes maior) e laringe (3,5 vezes maior).

Uro-oncologia: grupo do HGF debate tratamentos

Hoje, Marcos Flávio foi o moderador do terceiro encontro mensal sobre uro-oncologia promovido pela equipe do HGF. O médico esteve ao lado do radiologista Dower Frota e da oncologista clínica Ana Carolina. O primeiro convidado debateu a ressonância no câncer de próstata, importante instrumento para identificar e classificar o nível de suspeição da lesão. Já Carolina abordou a utilização de novos agentes hormonais no tratamento de cânceres metastáticos.

Câncer de próstata: o risco da detecção tardia

Um estudo britânico constatou que 86% das pessoas relacionam o surgimento do câncer de próstata ao aparecimento de sintomas, especialmente aqueles relacionados a mudanças no fluxo urinário. Apenas 1% do público sinalizou a resposta correta, que essa neoplasia surge de forma silenciosa.

Infelizmente, quando o câncer já começa a manifestar alterações no corpo, é provável que a doença esteja avançada, o que diminui as chances de cura. Se for identificado em estágio inicial, a efetividade do tratamento passa de 90%. Por isso, é necessário começar a rotina de exames anuais com o urologista a partir dos 50 anos. Integrantes de grupos de risco, como afrodescendentes e pessoas com histórico familiar (parentes de 1º grau com a doença), devem iniciar aos 45 anos.