
No dia 4 de maio de 2025, comemora-se o 25º aniversário da realização da primeira nefrectomia laparoscópica no Ceará. Esse procedimento marcou um avanço importante na cirurgia urológica do estado, ao introduzir uma técnica minimamente invasiva que permite operar o abdômen ou a pelve por meio de pequenos cortes (geralmente de até 1,5 cm). Como o trauma cirúrgico é menor, há menos dor e a recuperação é mais rápida.
A técnica laparoscópica é especialmente relevante em cirurgias renais. Quando realizada de forma parcial, possibilita a preservação de parte do rim, o que ajuda a evitar a insuficiência renal, condição que compromete significativamente a qualidade de vida do paciente. Já nos casos em que é necessária a retirada completa do órgão, a técnica oferece mais precisão, graças ao uso de instrumentos precisos e uma câmera que fornece visualização em tempo real, o que aumenta a efetividade cirúrgica e reduz o risco de lesões em estruturas adjacentes.
O pioneirismo no Ceará coube à equipe formada pelos serviços de urologia e cirurgia geral do Hospital Geral de Fortaleza (HGF). A cirurgia foi conduzida pelos Drs. Marcos Flávio Rocha (atualmente coordenador do Serviço de Urologia do HGF), Nilson Diniz e Francisco José Mesquita, do Serviço de Urologia; Dr. José Eudes Pinho, da Cirurgia Geral; e Dra. Aglais Leite, da Anestesiologia.
Rocha salienta que há 25 anos esse tipo de procedimento não era comum no país. Diante desse desafio, a equipe do HGF buscou capacitação por meio da observação de procedimentos em outros estados.
A intervenção ocorreu durante três horas e foi concluída com sucesso. O pós-operatório também transcorreu sem intercorrências, por isso a paciente recebeu alta hospitalar no dia seguinte.
A partir de então, a nefrectomia laparoscópica passou a ser incorporada de forma regular nos serviços de urologia e transplante renal do HGF. Atualmente, a videocirurgia é amplamente empregada em diversos tratamentos urológicos, incluindo câncer de rim, próstata e bexiga; malformações do trato urinário e remoção de cálculos renais (“pedras nos rins”).